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Estudo sobre o Shelf Life da solução de Dakin


STUDY ON THE SHELF LIFE OF DAKIN SOLUTION

J. D. PÉCORA; C. A. F. MURGEL, R. N. SAVIOLI; W.F. COSTA; LP. VANSAN

Rev. Odont. USP, 1(1):3-7, jan./mar. 1987.

Departamento de Odontologia Restauradora — Disciplina de Endodontia FORP-USP.

Resumo

Foi estudado por meio da titulometria a perda do teor de cloro da solução de Dakin quando estocada em vidro ambar, mantida à temperatura ambiente, exposta à luz solar e na geladeira (90C). Verificou-se que a solução de Dakin quando exposta à luz solar perdeu 79,11% do teor de cloro ativo em 122 dias, à temperatura ambiente a perda do teor de cloro foi de 62,69% e quando armazenada na geladeira, ou seja, a 9 graus centígrados a perda foi somente de 22,39% no mesmo período.

SUMMARY

Studied by titrimetry the Ioss of chloride content in Dakin solution stored mn an ambercolored glass boottle and maintained at roorn temperature, or exposed to sunlight, or kep in the refrigerator at 90C. Dakin solution exposed to sunlight Iost 79.l10/o of its active chloride content within 122 days. When the solution was maintained at room temperature, the loss of chloride content was 62.69%, and when it was stored in the refrigerator at 9.0C, the loss was only 22.39% winthin the sarne period of time.

UNITERMOS: Líquido de Dakin, teor de cloro ,armazenagem, shelf-life.

INTRODUÇÃO

As soluções de hipoclorito de sódio, em diversas concentrações são muito utilizadas na irrigação do canal radicular.
PUCCI17 (1945) relata que as soluções de hipoclorito de sódio tiveram início com a água de JAVELLE (1792), que consistia em uma solução de hipoclorito de sódio e potássio. Em 1820 surgiu o licor de Labaraque, uma solução de hipoclorito de sódio a 5 por cento de cloro ativo por 100 ml.
DAKIN6 (1915) salientou que para se fazer uma escolha de um anti-séptico para tratamento de ferida infectada deve ser considerado muitos fatores em adição a atividade germicida. Esses fatores são: propriedades irritantes das substâncias, toxicidade, solubilidade, capacidade de penetrar nos tecidos e ser absorvida e, ainda, suas reações químicas com proteína e outros constituintes do tecido. O mesmo autor cita que o hipoclorito de sódio tem uma grande ação germicida e tem outras propriedades desejáveis. Porém, o hipoclorito de sódio apresenta composição extremamente variável, contendo alcali livre, sendo conseqüentemente um irritante quando aplicado em feridas. O autor ainda chama atenção para o fato de que mesmo uma solução de hipoclorito de sódio dita neutra, têm uma reação alcalina. Este fato é devido não somente ao alcali livre que pode permanecer em virtude do processo de preparação, mas também pelo fato de que o hipoclorito de sódio em solução sofre uma dissociação iônica dando hidróxido de sódio e ácido hipocloroso:

NaOCI + H2O Ü> NaOH + HCIO + Cl2

DAKIN6 (1915) propõe uma solução de hipoclorito de sódio de 0,5 a 0,6 por cento de cloro ativo por 100 ml, com ácido bórico para reduzir o pH, deixando a solução com pH próximo do neutro. A adição de ácido bórico reduz o pH e proporciona menor quantidade de hidróxido de sódio livre, diminuindo, assim, o efeito irritante do hipoclorito de sódio. O autor reforça o fato de que a solução proposta é instável e não deve ser armazenada por muito tempo e deve ser embalada em vidro ambar e conservada em lugar fresco com ausência de luz incidente.
A solução proposta por DAKIN6 (1915) foi aceita rapidamente na Odontologia, BARRET2 (1917) propôs seu uso para irrigar bolsas periodontais.
A grande divulgação da solução de hipoclorito de sódio a 5 por cento, para uso na irrigação do canal radicular começa com WALKER23 (1936).
GROSSMAN & MEIMAN10 (1941) realizaram investigações sobre a capacidade de solvência de tecido com diversas soluções irrigantes utilizadas e concluíram que a solução de hipoclorito de sódio a 5 por cento proposta por WALKER23 (1936) apresentou melhor resultados.
GROSSMAN9 (1943), apresentou um método para a irrigação do canal radicular que consiste em alternar a irrigação de hipoclorito de sódio a 5 por cento com peróxido de hidrogênio a 30/o. Essa alternância produz uma reação efervescente, favorecendo a eliminação de "debris". Essa técnica vem se mantendo por mais de quatro décadas.
STEWART et alii2’ (1969) propuseram um creme para ser utilizado como substância auxiliar de instrumentação do canal radicular. Neste creme se goteja hipoclorito de sódio a 50/o, que produz uma reação efervescente. Este creme foi identificado comercialmente como RC-Prep e tem a seguinte composição: Carbowax, EDTA e Peróxido de uréia.
PAIVA & ANTONIAZZI’5 (1973) propuseram o uso de um creme ENDO-PTC com a seguinte composição: Carbowax, Tween 80 e Peróxido de uréia. Esse creme é neutralizado pelo líquido de DAKIN, dando também, uma reação de efervescência.
Durante muitos anos as soluções de hipoclorito de sódio em diversas concentrações vem sendo usadas para a irrigação de canal radicular. Os livros textos explicam o processo de fabricação do hipoclorito de sódio a 5%.
A obtenção do líquido de Dakin pode ser realizado de acordo com a proposta do autor (19 15).
As soluções de hipoclorito de sódio foram muito estudadas durante todos esses anos.
GRQSSMAN & MEIMAN10 (1941), SENIA et alii18 (1971), TREPAGNIER et alii22 (1977), HAND et alii11 (1978), WAYMAN et alii24 (1979) e GORDON et alii8 (1981), estudaram o efeito do hipoclorito de sódio em dissolver tecido pulpar.
Quanto a ação bactericida, o hipoclorito de sódio foi estudado por COBE3 (1960), STEWART et alii (1961), LUEBKE’3 (1967), LEONARDO2 (1968), SHIH et alii19 (1970) e ANTONIAZZI1 (1973).
A capacidade de aumentar a permeabilidade foi estudada por MARSHALL et alii14 (1960), COHEN4 (1970), FROIS et alii7 (1981), PECORA6 (1985).
COSTA5 (1987) verificou que as soluções de hipoclorito de sódio ao reagir com o Rc-Prep, ENDO-PTC e peróxido de hidrogênio, além de produzir efervescência, produz concomitantemente uma reação exotérmica.
Em virtude do líquido de Dakin ser uma solução irrigante de canal radicular muito utilizado no Brasil e a sua produção depender da indústria, o que acarreta um armazenamento do produto por muito tempo até chegar ao consumo, o objetivo do presente trabalho consiste em estudar o Shelf life desse produto quando armazenado em vidro ambar e estocado em diferentes condições de temperatura.

MATERIAL E MÉTODO

O líquido de Dakin usado no presente trabalho, foi aviado no Laboratório de Endodontia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - USP.
Os produtos químicos utilizados no preparo do líquido de Dakin estão listados na tabela 1.

Tabela 1 — Produtos utilizados para o preparo do Líquido de Dakin.
Hipoclorito de cálcio B-Herzog Ca(OCI)2
Carbonato de sódio anidro Vetec NaCO3
Ácido bório Reagen H3BO3

Modo de preparo do Líquido de Dakin:

Determinou-se, em primeiro lugar, o teor de cloro do hipoclorito de cálcio. A titulometria evidenciou um teor de 65% de cloro ativo por 100 ml.
Uma vez obtido o teor de cloro do hipoclorito de cálcio, proporcionou-se as fórmulas e realizou-se o seguinte:
Pesou-se 100 gramas de hipoclorito de cálcio e colocou em um gral de porcelana e triturou-o até ficar em partículas bem finas. A seguir colocou-o em 8 litros de água destilada. A solução foi agitada de tempos em tempos e deixada em repouso por uma noite.
Decorrido esse tempo pesou-se 70 gramas de carbonato de sódio anidro e dissolveu-se em dois litros de água destilada.
A solução de hipoclorito de cálcio foi removida do recipiente que a continha por meio de sifão, desprezando o resíduo. Em seguida, encorpora-se à mesma, a solução de carbonato de sódio. Após a mistura das duas soluções, a solução resultante foi agitada de tempos em tempos e a seguir deixada em repouso por duas horas.
O carbonato de cálcio precipita no fundo do recipiente e a solução de hipoclorito de sódio é removida por meio de sifão e a seguir foi filtrada através de algodão.
Após a filtragem da solução de hipoclorito de sódio, mediu-se o pH, em um "pH meter" marca Analion, que indicou o pH 11.
A seguir, sob agitação constante, foi adicionado à solução de hipoclorito de sódio, ácido bórico (40 gramas) indicando pH 9,20 após sua total dissolução.
Para revelar o teor de cloro da solução de hipoclorito de sódio preparado procedeu-se a titulometria, a qual indicou um teor de O,67% de cloro ativo por 100 ml.
A solução de hipoclorito de sódio 0,67% de cloro ativo por 100 ml com pH 9,20 foi embalada em vidro ambar dotado de tampa e batoque.
Selecionou-se 3 frascos de 500 ml cada para o estudo das perdas do teor de cloro. Esses frascos foram colocados em lugares diferentes dentro do laboratório. Um frasco foi colocado na parte inferior da geladeira (90C), outro foi colocado em um lugar fresco e à sombra e o último frasco foi colocado em frente ao vitroux, onde recebia luz solar direta.
Após 7, 32, 45, 52, 67, 80 e 122 dias realizou-se a titulometria da solução de hipoclorito de sódio das suas diferentes formas de armazenagem.
A titulometria utilizada foi a da iodometria.
O teor de cloro, para cada situação, era expresso após obter uma média de três titulações.

RESULTADOS
A tabela 2 indica as médias do teor de cloro obtidos nas três condições de temperatura.

Tabela 2 — Médias do teor de cloro ativo.
Dias Teor de Cloro
Geladeira Ambiente Luz Solar Direta  
O 0,67 0,67 0,67
7 0,67 0,60 0,60
32 0,62 0,43 0,34
45 0,62 0,37 0,28
52 0,57 0,34 0,22
67 0,57 0,30 0,22
80 0,57 0,27 0,20
122 0,52 0,25 0,14

Observando a tabela 3 nota-se que ocorre uma perda substâncial do teor de cloro (490/a em 32 dias) quando o produto é armazenado em local onde há luz solar direta. Observa-se, também que mesmo à temperatura ambiente e em lugar fresco, têm-se uma grande perda de cloro, (49 por cento em 52 dias).
Quando o produto é armazenado na geladeira ou seja na ausência de luz e à baixa temperatura (90C), a perda do teor de cloro foi de apenas 22,39 por cento em 122 dias.
A tabela 3 evidencia a porcentagem de cloro e a respectiva perda nas diferentes condições de armazenagem e nos tempos estudados.

STUDY ON THE SHELF LIFE OF DAKIN SOLUTION

J. D. PÉCORA; C. A. F. MURGEL, R. N. SAVIOLI; W.F. COSTA; LP. VANSAN

Rev. Odont. USP, 1(1):3-7, jan./mar. 1987.

Departamento de Odontologia Restauradora — Disciplina de Endodontia FORP-USP.

Resumo

Foi estudado por meio da titulometria a perda do teor de cloro da solução de Dakin quando estocada em vidro ambar, mantida à temperatura ambiente, exposta à luz solar e na geladeira (90C). Verificou-se que a solução de Dakin quando exposta à luz solar perdeu 79,11% do teor de cloro ativo em 122 dias, à temperatura ambiente a perda do teor de cloro foi de 62,69% e quando armazenada na geladeira, ou seja, a 9 graus centígrados a perda foi somente de 22,39% no mesmo período.

SUMMARY

Studied by titrimetry the Ioss of chloride content in Dakin solution stored mn an ambercolored glass boottle and maintained at roorn temperature, or exposed to sunlight, or kep in the refrigerator at 90C. Dakin solution exposed to sunlight Iost 79.l10/o of its active chloride content within 122 days. When the solution was maintained at room temperature, the loss of chloride content was 62.69%, and when it was stored in the refrigerator at 9.0C, the loss was only 22.39% winthin the sarne period of time.

UNITERMOS: Líquido de Dakin, teor de cloro ,armazenagem, shelf-life.

INTRODUÇÃO

As soluções de hipoclorito de sódio, em diversas concentrações são muito utilizadas na irrigação do canal radicular.
PUCCI17 (1945) relata que as soluções de hipoclorito de sódio tiveram início com a água de JAVELLE (1792), que consistia em uma solução de hipoclorito de sódio e potássio. Em 1820 surgiu o licor de Labaraque, uma solução de hipoclorito de sódio a 5 por cento de cloro ativo por 100 ml.
DAKIN6 (1915) salientou que para se fazer uma escolha de um anti-séptico para tratamento de ferida infectada deve ser considerado muitos fatores em adição a atividade germicida. Esses fatores são: propriedades irritantes das substâncias, toxicidade, solubilidade, capacidade de penetrar nos tecidos e ser absorvida e, ainda, suas reações químicas com proteína e outros constituintes do tecido. O mesmo autor cita que o hipoclorito de sódio tem uma grande ação germicida e tem outras propriedades desejáveis. Porém, o hipoclorito de sódio apresenta composição extremamente variável, contendo alcali livre, sendo conseqüentemente um irritante quando aplicado em feridas. O autor ainda chama atenção para o fato de que mesmo uma solução de hipoclorito de sódio dita neutra, têm uma reação alcalina. Este fato é devido não somente ao alcali livre que pode permanecer em virtude do processo de preparação, mas também pelo fato de que o hipoclorito de sódio em solução sofre uma dissociação iônica dando hidróxido de sódio e ácido hipocloroso:

NaOCI + H2O Ü> NaOH + HCIO + Cl2

DAKIN6 (1915) propõe uma solução de hipoclorito de sódio de 0,5 a 0,6 por cento de cloro ativo por 100 ml, com ácido bórico para reduzir o pH, deixando a solução com pH próximo do neutro. A adição de ácido bórico reduz o pH e proporciona menor quantidade de hidróxido de sódio livre, diminuindo, assim, o efeito irritante do hipoclorito de sódio. O autor reforça o fato de que a solução proposta é instável e não deve ser armazenada por muito tempo e deve ser embalada em vidro ambar e conservada em lugar fresco com ausência de luz incidente.
A solução proposta por DAKIN6 (1915) foi aceita rapidamente na Odontologia, BARRET2 (1917) propôs seu uso para irrigar bolsas periodontais.
A grande divulgação da solução de hipoclorito de sódio a 5 por cento, para uso na irrigação do canal radicular começa com WALKER23 (1936).
GROSSMAN & MEIMAN10 (1941) realizaram investigações sobre a capacidade de solvência de tecido com diversas soluções irrigantes utilizadas e concluíram que a solução de hipoclorito de sódio a 5 por cento proposta por WALKER23 (1936) apresentou melhor resultados.
GROSSMAN9 (1943), apresentou um método para a irrigação do canal radicular que consiste em alternar a irrigação de hipoclorito de sódio a 5 por cento com peróxido de hidrogênio a 30/o. Essa alternância produz uma reação efervescente, favorecendo a eliminação de "debris". Essa técnica vem se mantendo por mais de quatro décadas.
STEWART et alii2’ (1969) propuseram um creme para ser utilizado como substância auxiliar de instrumentação do canal radicular. Neste creme se goteja hipoclorito de sódio a 50/o, que produz uma reação efervescente. Este creme foi identificado comercialmente como RC-Prep e tem a seguinte composição: Carbowax, EDTA e Peróxido de uréia.
PAIVA & ANTONIAZZI’5 (1973) propuseram o uso de um creme ENDO-PTC com a seguinte composição: Carbowax, Tween 80 e Peróxido de uréia. Esse creme é neutralizado pelo líquido de DAKIN, dando também, uma reação de efervescência.
Durante muitos anos as soluções de hipoclorito de sódio em diversas concentrações vem sendo usadas para a irrigação de canal radicular. Os livros textos explicam o processo de fabricação do hipoclorito de sódio a 5%.
A obtenção do líquido de Dakin pode ser realizado de acordo com a proposta do autor (19 15).
As soluções de hipoclorito de sódio foram muito estudadas durante todos esses anos.
GRQSSMAN & MEIMAN10 (1941), SENIA et alii18 (1971), TREPAGNIER et alii22 (1977), HAND et alii11 (1978), WAYMAN et alii24 (1979) e GORDON et alii8 (1981), estudaram o efeito do hipoclorito de sódio em dissolver tecido pulpar.
Quanto a ação bactericida, o hipoclorito de sódio foi estudado por COBE3 (1960), STEWART et alii (1961), LUEBKE’3 (1967), LEONARDO2 (1968), SHIH et alii19 (1970) e ANTONIAZZI1 (1973).
A capacidade de aumentar a permeabilidade foi estudada por MARSHALL et alii14 (1960), COHEN4 (1970), FROIS et alii7 (1981), PECORA6 (1985).
COSTA5 (1987) verificou que as soluções de hipoclorito de sódio ao reagir com o Rc-Prep, ENDO-PTC e peróxido de hidrogênio, além de produzir efervescência, produz concomitantemente uma reação exotérmica.
Em virtude do líquido de Dakin ser uma solução irrigante de canal radicular muito utilizado no Brasil e a sua produção depender da indústria, o que acarreta um armazenamento do produto por muito tempo até chegar ao consumo, o objetivo do presente trabalho consiste em estudar o Shelf life desse produto quando armazenado em vidro ambar e estocado em diferentes condições de temperatura.

MATERIAL E MÉTODO

O líquido de Dakin usado no presente trabalho, foi aviado no Laboratório de Endodontia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - USP.
Os produtos químicos utilizados no preparo do líquido de Dakin estão listados na tabela 1.

Tabela 1 — Produtos utilizados para o preparo do Líquido de Dakin.
Hipoclorito de cálcio B-Herzog Ca(OCI)2
Carbonato de sódio anidro Vetec NaCO3
Ácido bório Reagen H3BO3

Modo de preparo do Líquido de Dakin:

Determinou-se, em primeiro lugar, o teor de cloro do hipoclorito de cálcio. A titulometria evidenciou um teor de 65% de cloro ativo por 100 ml.
Uma vez obtido o teor de cloro do hipoclorito de cálcio, proporcionou-se as fórmulas e realizou-se o seguinte:
Pesou-se 100 gramas de hipoclorito de cálcio e colocou em um gral de porcelana e triturou-o até ficar em partículas bem finas. A seguir colocou-o em 8 litros de água destilada. A solução foi agitada de tempos em tempos e deixada em repouso por uma noite.
Decorrido esse tempo pesou-se 70 gramas de carbonato de sódio anidro e dissolveu-se em dois litros de água destilada.
A solução de hipoclorito de cálcio foi removida do recipiente que a continha por meio de sifão, desprezando o resíduo. Em seguida, encorpora-se à mesma, a solução de carbonato de sódio. Após a mistura das duas soluções, a solução resultante foi agitada de tempos em tempos e a seguir deixada em repouso por duas horas.
O carbonato de cálcio precipita no fundo do recipiente e a solução de hipoclorito de sódio é removida por meio de sifão e a seguir foi filtrada através de algodão.
Após a filtragem da solução de hipoclorito de sódio, mediu-se o pH, em um "pH meter" marca Analion, que indicou o pH 11.
A seguir, sob agitação constante, foi adicionado à solução de hipoclorito de sódio, ácido bórico (40 gramas) indicando pH 9,20 após sua total dissolução.
Para revelar o teor de cloro da solução de hipoclorito de sódio preparado procedeu-se a titulometria, a qual indicou um teor de O,67% de cloro ativo por 100 ml.
A solução de hipoclorito de sódio 0,67% de cloro ativo por 100 ml com pH 9,20 foi embalada em vidro ambar dotado de tampa e batoque.
Selecionou-se 3 frascos de 500 ml cada para o estudo das perdas do teor de cloro. Esses frascos foram colocados em lugares diferentes dentro do laboratório. Um frasco foi colocado na parte inferior da geladeira (90C), outro foi colocado em um lugar fresco e à sombra e o último frasco foi colocado em frente ao vitroux, onde recebia luz solar direta.
Após 7, 32, 45, 52, 67, 80 e 122 dias realizou-se a titulometria da solução de hipoclorito de sódio das suas diferentes formas de armazenagem.
A titulometria utilizada foi a da iodometria.
O teor de cloro, para cada situação, era expresso após obter uma média de três titulações.

RESULTADOS
A tabela 2 indica as médias do teor de cloro obtidos nas três condições de temperatura.

Tabela 2 — Médias do teor de cloro ativo.
Dias Teor de Cloro
Geladeira Ambiente Luz Solar Direta  
O 0,67 0,67 0,67
7 0,67 0,60 0,60
32 0,62 0,43 0,34
45 0,62 0,37 0,28
52 0,57 0,34 0,22
67 0,57 0,30 0,22
80 0,57 0,27 0,20
122 0,52 0,25 0,14

Observando a tabela 3 nota-se que ocorre uma perda substâncial do teor de cloro (490/a em 32 dias) quando o produto é armazenado em local onde há luz solar direta. Observa-se, também que mesmo à temperatura ambiente e em lugar fresco, têm-se uma grande perda de cloro, (49 por cento em 52 dias).
Quando o produto é armazenado na geladeira ou seja na ausência de luz e à baixa temperatura (90C), a perda do teor de cloro foi de apenas 22,39 por cento em 122 dias.
A tabela 3 evidencia a porcentagem de cloro e a respectiva perda nas diferentes condições de armazenagem e nos tempos estudados.
Tabela 3 - Porcentagem de cloro e a respectiva perda nas diferentes condiçées de armazenagem.

DISCUSSÃO

Para que o tratamento endodôntico seja bem sucedido faz-se necessários que limpeza e desinfecção do canal radicular seja bem efetuada. O preparo químico mecânico deve ser realizado dentro dos princípios da técnica e é claro que o profissional deve ter confiança no produto químico que está sendo utilizado.

O líquido de Dakin é um produto instável com perda considerável de cloro dependendo das condições de armazenagem, logo, o profissional, sabendo disto, deve providenciar e trabalhar com solução recém-preparada.

Nem sempre isto é observado e o profissional pode trabalhar com soluções sem o teor de cloro desejável perdendo dessa maneira o proposito para o qual ela é empregada.

DAKIN6 (1915) chamava atenção para o fato de instabilidade do produto e recomendava que a solução fosse sempre récem preparada. Como nem sempre isto é possível aos profissionais de Endodontia, recomenda-se que conservem o líquido de Dakin em geladeira pois desta forma conserva-se o produto com o teor de cloro em que ele foi adquirido, pelo menos por um prazo de 120 dias. A perda neste período, quando conservado em geladeira é pequena.

A produção do líquido de Dakin é extremamente fácil e simples, e toda Faculdade de Odontologia ou Cursos de Especialização que o preconizar, podem aviá-lo sem grandes problemas.

A Disciplina de Endodontia — FORP-USP, produz líquido de Dakin a cada 30 dias e o conserva em geladeira até o momento de uso, evitando dessa forma a utilização de um produto com baixo teor de cloro.

Na tabela 3 observa-se que nos primeiros sete dias a perda de cloro foi idêntica ao mantido em lugar fresco e o colocado à luz solar. O fato é explicado porque durante este período do experimento o tempo permaneceu nublado com temperatura máxima de 22,50C e mínima de 200C com umidade relativa de 60 por cento.

Analisando a perda de cloro da solução armazenada na geladeira observa-se que ela ocorre muito lentamente.

Os nossos achados confirmam as observações de BARRETT2 (1917) quando cita que a solução de Dakin é instável e perde rapidamente sua eficiência de cloro livre em poucos dias especialmente se exposta a luz e calor. O autor ainda recomenda guardar as garrafas com solução de Dakin em compartimentos escuro e frio.

CONCLUSÕES

De acordo com os resultados obtidos no presente trabalho podemos concluir:

1 - Existe uma perda do teor de cloro no líquido de Dakin dependendo das condições de armazenagem.

2 - A solução de Dakin perde rapidamente seu teor de cloro quando armazenado em ambiente exposto a luz solar.

3 - A solução de Dakin perde 49,250/o de seu teor de cloro em 52 dias quando exposto àtemperatura ambiente e à sombra.

4 - A solução de Dakin deve ser conservada em geladeira. Nesta condições ocorre uma perda de apenas 22,39%do teor de cloro em 122 dias.

UNITERMS: Dakin solution; Loss of chloride: stored.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ANTONIAZZI, J.H. Análise ‘in vitro" da atividade antimicrobianos de algumas substâncias auxiliares da instrumentação no preparo cavitário químico-mecânico de canais radiculares de dentes humanos. Ribeirão Preto, 1973. p. 100. Tese -Doutorado - Faculdade de Odontologia da USP].

2. BARRETT, M.T. lhe Dakin-Carrel antiseptic solution. Dent. Cosmos., 59(43:446-9, Apr. 1917.

3. COBE, H.M. Investigations of a new dental chematherapeutic agent in the presence of blood. Oral Surg., 13(13:678-85, June 1960.

4. COHEN, S.; STEWART, G.C.; LASTER, L.L. The effects of acids, alkalies, and chelating agents on dentine permeability, Oral Surg., 29(41:1331-4. Apr. 1970.

5. COSTA, W.F. Avaliação da elevação da tem peratura produzida pela reação exotérmica de algumas associações de substâncias químicas utilizadas no preparo do canal radicular. Ribeirão Preto, 1987. p. 76. (Tese - Livre-Docôncia —Faculdade de Odontologia da USP).

6. DAKIN, H.D. In the use of certain arttiseptic substances in the treatment of infected wound. Brit. med. J., (23:318-20, Aug. 1915.

7. FRÕIS, I.M.; RENBERG, A.M.; ROBAZZA C.R.C.; COSTA, W.F.; ANTONIAZZI, J.H. Permeabilidade da dentina radicular: Um novo método de avaliação. Rev. paul. Endodont., 2(4):77-83, out./ dez. 1981.

8. GORDON, T.M.; DAMATO, D.; CHRISTNER, P. Solvent effect of various dilutions of sodium hypochlorite on vital and necrotic tissue. J. Endodont., 7(103:466-9, Oct. 1981.

9. GROSSMAN, LI. Irrigation of root canais. J. Amar. dent. Ass., 30(123:1915-7, Dec. 1943.

10. GROSSMAN, LI. & MEIMAN, 8W. Solution of pulp tissue by chemical agents. J. Amer. dent. Ass., 28(2):223-5, Feb. 1941.

11. HAND, R.E.; SMITH, M.L.; HARRISON, J.W. Analysis of the effect of dilution on the necrotic tissue dissolution property of sodium hypochlorite. J. Endodont., 4(23:60-4, Feb. 1978.

12. LEONARDO, M.R. Avaliação comparativa dos efeitos de soluções irrigadoras utilizadas durante o preparo biomecânico dos canais radiculares. Rev Fac. Farm. Odont. Araraquara., 2(13:27-36, jan./ jun. 1968.

13. LUEBKE, R.G. Pulp cavity debridement and desínfection. Dent. Clin. N. Amar., Saunders, Philadelphia & London, Nov., 1967, p. 603-13.

14. MARSHALL, J.F.; MASSLER, M.; DUTE, H.L. Effects of endodontic treatments on permeability of root dentine. Oral Surg., 13(23:208-23, Feb. 1960.

15. PAIVA, J.G. & ANTONIAZZI, J.H. O uso de uma associação de peróxido de uréia e detergente (Tween 80] no preparo químico-mecânico dos canais radiculares. Rev. Ass. paul. Cirurg. Dent., 27(73:416-22, dez. 1973.

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